ABORDAGEM ETNICORRACIAL E UM OLHAR SOBRE O DIA DO ÍNDIO

Publicado em 19 de abril de 2018.

A Faculdade Social da Bahia tem a alegria de ter estudantes indígenas. Aliás, tão relevante temática histórica integra um projeto especialíssimo: o Festival Cafuso. A atividade é promovida pela professora Claudiane Oliveira, que ministra a disciplina Relações Etnicorraciais, Sociedade e Cultura. Em 2017, graduandos da FSBA se dedicaram a um significativo processo de pesquisa com abordagens e recortes sobre os legados das etnias africanas e indígenas na composição da sociedade brasileira. A imersão dos estudantes resultou em apresentações culturais variadas. Entre outros aspectos, as equipes trouxeram a riqueza dos povos indígenas em danças, brincadeiras, jogos e cerimônias. Nessas perspectivas, a educação superior faz valer o objetivo de promover uma formação integral, com a contribuição da criticidade no processo de aprendizagem não apenas com abordagens teóricas. As experimentações elaboradas a partir dos estudos dirigidos promovem um enriquecimento para além do ensino formal. E há um fator humano ainda mais relevante: a criação de uma consciência valiosa para o convívio social. Tudo para uma possível contribuição aos avanços sociais dos quais, globalmente, todos sabem que são necessários. O Dia do Índio nos faz lembrar o quanto devemos olhar para nós mesmos, para nossas raízes. É bom estar em uma instituição que não trata tais questões como mero cumprimento de um programa educacional. É ainda mais fantástico quando os estudantes aderem brilhantemente à proposta, vivenciando o conhecimento como nesse caso. Respeito aos povos indígenas! Dia 19 de Abril – Dia do Índio. A data comemorativa, na qual, “antigamente”, a gente voltava da escola fantasiadas e fantasiados como, supostamente, os indígenas, foi criada em 1943 pelo presidente Getúlio Vargas, através de um decreto lei. No entanto, a simbologi  a da data se remete aos anos 1940, quando foi promovido no México o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. Segundo relatos históricos, as tão esperadas lideranças indígenas não compareceram nos primeiros dias de realização do evento, obviamente, temerosos já que representantes dos considerados “algozes”, por séculos, estavam na promoção e condução do encontro… Para a alegria dos grupos engajados, no dia 19 de abril, diversos líderes indígenas decidiram participar e fizeram história. As reflexões ganharam um peso, agregaram legitimidade. Assim, a data foi escolhida, no continente americano, como o Dia do Índio. Como escreveu o grande compositor Jorge Ben Jor: “Todo Dia Era Dia de Índio”. A reflexão musicada, a história do Brasil embalada por um ritmo de constatação dos fatos controversos daquilo que chamamos de civilização… Vale pensar a respeito: “…Antes que o homem aqui chegasse Às Terras Brasileiras Eram habitadas e amadas Por mais de 3 milhões de índios Proprietários felizes Da Terra Brasilis Pois todo dia era dia de índio Todo dia era dia de índio Mas agora eles só tem O dia 19 de Abril…”   Por Ticiana Bitencourt Fotos: Cedidas/ Arquivo      

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