Professora com surdez é destaque em Aula de Libras na FSBA

Publicado em 24 de abril de 2018.

Se comunicar por sinais. Esse pode ser um grande desafio para quem não entende a língua de libras. Por isso, existe no Brasil uma lei que obriga as escolas e instituições de ensino superior a terem matérias obrigatórias desse assunto. Hoje (24/04), a Lei nº 10.436 completa 16 anos. Mas, o que mudou nesse período? Será que as pessoas com problemas de audição realmente encontram mais facilidade em comunicar-se?

No dia em que se comemora o “Dia da Lei de Libras” ainda há necessidade de se falar sobre o assunto. Afinal, na prática, ainda a muito que fazer. Segundo a professora de Libras da Faculdade Social da Bahia (FSBA), Vivian Caroline, “ainda há necessidade de maior atenção da sociedade em conhecer e aprender a língua para proporcionar uma comunicação mais eficaz, já que 80% dos surdos em Salvador utilizam a Libras para comunicação no dia a dia”.

Vivian, que ficou surda quando tinha apenas um ano de idade, teve que aprender desde cedo a conviver com essa dificuldade e não desistiu. Aprendeu a língua, entrou na Faculdade, fez Licenciatura em Educação Física, e hoje dá aula no mesmo curso e na mesma Instituição em que terminou a graduação. “No curso em que me formei essa disciplina é obrigatória, mas nos outros de bacharelado é optativa. Hoje em dia, muitos estudantes escolhem libras, por saber a importância e a necessidade de estar por dentro deste universo do surdo. As minhas aulas estão sempre concorridas e fico muito feliz em saber que as pessoas estão aprendendo a conviver com a diferença e, principalmente, a respeitar o outro”, ressalta a professora.

Apesar de sentir essa diferença depois que a Língua Brasileira de Sinais foi reconhecida oficialmente, Vivian Caroline revela que continua superando a cada dia as dificuldades que ainda enfrenta, como a falta de acessibilidade, falta de intérprete em alguns espaços e, principalmente, a falta de sensibilidade por parte da sociedade: “essas dificuldades sempre tive, tenho e sempre terei. O que aprendi foi a superar e seguir em frente, mostrando que sou uma pessoa como qualquer outra, que tenho os mesmos direitos e deveres”.

A professora, que já fez dois cursos de pós-graduação e agora está concluindo um mestrado, ensina a seus alunos não só a linguagem dos sinais, como também a ter garra e perseverança através desse exemplo de vida.

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