I Semana de Comunicação da FSBA debate a ética no jornalismo

Oficinas, palestras, apresentações artísticas. Dessa forma que o evento resolveu tratar de assuntos polêmicos e tão relevantes na área. A I Semana de Comunicação da Faculdade Social da Bahia (FSBA), que ocorreu entre os dias 24 e 26 de setembro, teve como tema central “A ética na produção jornalística”. O evento reuniu profissionais e professores das diversas áreas do jornalismo para debater práticas, tendências e desafios da profissão no cenário atual.
Com uma apresentação artística dramática do estudante Gabriel Rodrigues, que usou algemas e correntes durante a leitura de um poema que falava de “Censura”, o evento teve abertura na área de convivência do Prédio Central. Na sequência as professoras Danielle Zuma e Daniela Souza fizeram um bate-papo esclarecedor sobre o tema. Para encerrar o momento e a temática, o estudante de jornalismo Ailton Minaj cantou a canção “Cálice”, de Milton Nascimento.

Seguindo para a Sala Maria Alice, ainda na segunda-feira (24), o Reitor da Universidade Católica de Salvador (UCSAL) Maurício Ferreira, debateu o tema “Ética na academia, ética no trabalho, ética em todo canto”, com mediação da professora da FSBA, Mônica Celestino. “Se de um lado é possível comprar um livro sobre ética, por outro não é possível comprar ética. Se de um lado é possível limitar-se ajudado por escolhas éticas, por outro não é possível fazer uma dieta de ética. A decisão ética é sempre uma decisão de partilha do ser.”, enfatizou o também professor de Filosofia e padre, Maurício Ferreira.

Qual a ética e o limite no Jornalismo investigativo? Esse foi o enredo da Oficina realizada também na Sala Maria Alice, no dia seguinte, terça-feira (25). Participaram da mesa redonda os jornalistas Alexandre Lyrio, do jornal Correio, e Jussara Maia, professora da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), além do advogado em Direito Autoral, Rodrigo Moraes. Com mediação da professora da FSBA, Cristina Mascarenhas, eles debateram o tema “A câmera e o gravador escondidos na produção da notícia: os limites éticos”.

Os jornalistas trouxeram exemplos desses tipos de reportagens, como a de um caso de 2013 transmitida pelo “Jornal Hoje”, da Rede Globo, onde mostrava que de 65 veículos guardados por manobristas, 19 tinham alguma coisa furtada. Na matéria televisa foi usada uma câmera escondida e os rostos das pessoas não foram “protegidos”. O exemplo foi usado pela professora Jussara. Na discussão sobre o verdadeiro papel do jornalismo na sociedade, mesmo nesses casos, o jornalista Alexandre Lyrio apresentou uma matéria feita por ele no começo da carreira em que denunciava, via câmera escondida, o processo de propina nos cartórios de Salvador, e que rendeu a demissão de duas funcionárias na época. Uma discussão que foi além do profissionalismo. O advogado Rodrigo Moraes também esclareceu dúvidas sobre as implicações jurídicas em casos onde o jornalismo ultrapassa o limite da ética.

No último dia do evento, na quarta-feira (26), foram realizadas diversas atividades paralelas que enriqueceram os currículos dos participantes. Pela tarde, os professores Caio Cardoso e Adalton Fonseca apresentaram uma oficina dupla sobre Fotografia e Jornalismo de Convergência. Eles explicaram sobre processos de imagem, armazenamento e compartilhamento, além de outras técnicas aplicadas as temáticas. Em outra sala do prédio Agência Baiana de Notícias (ABAN), os professores Vinicius Almeida (Motion Designer no IF Baiano) e Glauco Neves (Diretor Criativo no IF Baiano) deram uma verdadeira aula sobre “Produção Audiovisual”.

Ainda no prédio da ABAN, os estudantes de vários semestres apresentaram uma exposição de fotografia. Com questionamento e inquietação, a Mostra apresentou o tema “Comida” de uma forma diferente. Ela abordou o alimento como arte, como prazer, mas também como crítica a sociedade que não pensa no consumo consciente. Cartazes que diziam “Você tem fome de Que?”, foi assim que o corredor escuro e coberto de imagens e textos reflexivos encerrava a Exposição.

 Seguindo a programação, só que na Sala Maria Alice, no Prédio Central, grandes nomes no jornalismo baiano participaram de um debate sobre as tendências e os desafios da Assessoria de Imprensa no Estado. Com mediação da coordenadora do curso, Bárbara Souza, os assessores Pietro Ranã (Pipa Comunicação), Mariana Culpi (Darana Comunicação) e Arla Coqueiro (Secom-BA), falaram sobre a realidade vivida no dia a dia, as dificuldades em lidar com a imprensa e como as tendências tecnológicas têm transformado esta área do jornalismo, como foi o caso do surgimento das redes sociais, das mídias digitais e o provento das “Fake News”.

Logo após, a mesa-redonda que encerrou a I Semana de Comunicação da FSBA trouxe os repórteres Bruno Sales e Andréia Silva, e a jornalista e cineasta Ceci Alves, também à Sala Maria Alice para debater o tema: “Pra onde caminha o Telejornalismo?”. Eles deram exemplos da transformação na maneira como os Telejornais são apresentados atualmente, a mudança de postura dos jornalistas, na imagem, no texto, na narração, na edição e na produção das matérias. Com mediação da professora Claudiane Carvalho, os convidados esclareceram muitas dúvidas dos estudantes e relataram as expectativas e as dificuldades deles em lidar com o “novo telejornalismo”.

Todas as atividades foram gratuitas e certificadas.

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