Evento reúne profissionais de várias áreas para debater as fake news

Salvador, 31 de outubro de 2018.

O curso de Jornalismo da Faculdade Social da Bahia promove mesa redonda para debater leis e impactos psicológico-sociais gerados pelas notícias falsas, as chamadas fake news. Cerca de 96% das fake news no Brasil são compartilhadas via WhatsApp. Com o dado crescente, emitido em estimativa da PSafe (empresa líder no desenvolvimento de aplicativos de segurança, performance e privacidade) neste ano, é inevitável que o espalhamento perigoso não seja debatido em conjunto com diversos outros novos comportamentos surgidos pela web.

A porcentagem pode parecer, para muitos, focada apenas em um tema, mas o problema vai muito além das eleições. As questões políticas, que trouxeram o alerta das fake news para 90% dos brasileiros (dados da PSafe), estão apenas em um dos diversos tópicos em que o fenômeno ‘mostra as caras’, causando riscos e modificações sociais que envolvem aspectos psicológicos e, até, legais.

O EVENTO
Para abordar os lados menos debatidos das fake news nacionalmente é que surge o evento ‘Fato ou Fake? A notícia em Debate na Cultura Digital’. A iniciativa, que acontece no dia 7 de novembro (quarta-feira), no Auditório Maestro Cícero Alves, no Colégio ISBA, em Ondina, envolve uma mesa redonda com profissionais das áreas de mídias digitais, psicologia, direito e jornalismo. O evento inicia às 19h e conta com apresentações e interações entre os palestrantes, ganhando também abertura para perguntas do público, discussões que podem iluminar a reflexão sobre os dados expressivos da pesquisa citada.

Ainda de acordo com este estudo, entre as principais temáticas abordadas pelos cibercriminosos estão notícias falsas atreladas a temas como saúde, somando aproximadamente 41% dos artigos. Em seguida, após a política (38%), ficam as celebridades como vítimas (18%), além de uma lista de outros tantos assuntos. Um estudo feito ainda neste ano por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que apontou que as fake news são 70% mais compartilhadas do que notícias verdadeiras, afirmou, ainda, que os ‘robôs e algoritmos’ pouco têm a ver, atualmente, com a grande circulação dessas falsas informações.

CONVIDADOS E PAUTAS RARAS
Os palestrantes da noite são a editora-chefe do jornal Correio*, Linda Bezerra, que compõe a mesa junto ao professor doutor Rodrigo Carreiro, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital da UFBA; o mestre em psicologia, Thiago Wesley Silva, e o mestre com extensão em Internet Law e professor de direito Digital, Dr. Eurípedes Cunha.

“Fake news não são notícias, são desinformações. Infelizmente, é algo que virou um negócio. Hoje existem empresas que trabalham na criação e produção delas, e somente o jornalismo tem as ferramentas necessárias para que exista um meio oposto a isto. Mas o combate precisa ser pessoal e, assim, social”, afirma a editora-chefe do jornal de maior circulação no Norte e Nordeste do país, Linda Bezerra.

Mediados pelo professor Caio Cardoso, doutorando em Comunicação e Cultura Contemporâneas na Universidade Federal da Bahia (Ufba), os convidados serão guiados para responder sobre dados atualizados e aspectos nunca antes aprofundados em produções ou palestras baianas sobre fake news. É o caso, por exemplo, das problemáticas que envolvem as leis da liberdade de expressão em embate com o desejo chamado de ‘capital social’ nas redes digitais. O capital social nada mais é do que a sede por engajamento (likes e compartilhamentos, por exemplo) em publicações próprias na web. 

Cardoso, inclusive, explica a diferença entre junk news e fake news, que são, ambas, muito inclusas atualmente em disseminações que são iniciadas pelo desejo de ter o capital social na internet. “Junk news são notícias sensacionalistas, de baixa qualidade. O conteúdo é apelativo, mas não exatamente distorcido. Já as fake news acabam sendo sinônimos para boatos, é algo, de fato, sem veracidade”, alerta. Os dois tipos, porém, deixam perigos para os leitores. As junk news, por exemplo, podem acabar confundindo o receptor sobre o contexto do conteúdo tratado. “Isso já acontecia com o que foi chamado de imprensa sensacionalista. Nada é exatamente novo. A novidade é a velocidade e as novas plataformas atuais, que geram novos riscos e comportamentos”, alerta.

O mediador ainda pontua que “notícias antigas e bem apuradas também podem acabar sendo notícias falsas para o agora”. Assim, Caio exemplifica o início de uma lista de dicas que serão dadas para o público durante o evento, indicando maneiras criativas e diferenciadas para lidar com a fake news.

MEXENDO COM A CABEÇA DE TODOS
O profissional da psicologia, Thiago Silva, pontua, porém, que apesar da base do assunto não ser algo novo, o termo ‘fake news’ traz consigo novos conceitos sociais. “Dentre eles, estão novos formatos dos jogos de poder, dos sistemas de crenças e , até, do termo ‘ideologia’. Esses são alguns dos pontos adentrados na psicologia que iremos discutir”, afirma.

Unindo a nova comunicação com as mudanças comportamentais que são consequência em sociedade, entram temáticas como o risco de fake news para crianças e adolescentes que, de acordo com profissionais, como a psicóloga Ediene Gomes, 49, pode “desenvolver alguns distúrbios de comportamento ou adoecimento psíquico como defesa. Estresse, ansiedade, crise de pânico e transtornos fóbicos podem ser alguns deles”.

Para o assunto, existem fatos alarmantes, como o que foi divulgado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil em novembro de 2017. De acordo com a pesquisa, 91% das 22 milhões de crianças brasileiras com acesso à internet navegam pelo celular, dificultando o controlo dos pais. Em 2012, o número não chegava a 21%.
Caroline Rodrigues, aluna da instituição e uma das produtoras do evento, deixa um suspense no ar, mas, olha só: sem fake news. “Vamos ter alguns tipos de interações e dicas que podem surpreender quem estiver assistindo”, declara.

É possível acompanhar curiosidades sobre fake news e sobre o evento “Fato ou Fake? através das redes sociais da Agência Baiana de Notícias, organizadora da mesa-redonda. Vídeos curtos e dinâmicos, declarações de profissionais e dados atualizados (nacionais e locais) sobre o tema podem ser encontrados no Facebook (/agenciabaianadenoticias) e Instagram (@agenciabaianadenoticias). No site oficial do projeto (eventofatooufake.com.br) ainda é possível conferir o universo das fake news por novas angulações através de reportagens completas.

• SERVIÇO:
Quando: 7 de novembro (quarta-feira)
Horário: A partir das 19h
Onde: No Auditório do Isba (R. Macapá, 128 – Ondina)
Quanto: Gratuito
Extra: Estudantes recebem 4 horas de atividades complementares

• Links diretos para as redes sociais:
SITE: eventofatooufake.com.br
FACEBOOK: https://www.facebook.com/agenciabaianadenoticias
INSTAGRAM: https://www.instagram.com/agenciabaianadenoticias/

Fonte: Release do curso de Jornalismo

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