Evento debate Fake News em contexto social, legal, político e psicológico

Publicado em 9 de novembro de 2018.

Estudantes do curso de jornalismo da Faculdade Social da Bahia (FSBA) promoveram nessa quarta-feira (08) o evento “Fato ou Fake? A notícia em Debate na Cultura Digital”. A mesa redonda aconteceu no auditório Maestro Cícero Alves, no Colégio ISBA, e contou com a presença de nomes importantes nas áreas da psicologia, política, comunicação e do direito. Além do debate, a noite também contou com uma apresentação musical e uma abordagem artística com um estudante de jornalismo se passando por “vendedor de Fake News”.

A coordenadora do curso, Bárbara Souza, fez a abertura do debate agradecendo o empenho dos estudantes na realização do evento, a disponibilidade dos palestrantes e a presença do público. Com mediação do professor da FSBA, Caio Cardoso, a mesa foi composta pela editora-chefe do Jornal Correio, Linda Bezerra, o mestre com extensão em Internet Law e professor de Direito Digital, o doutor Eurípedes Cunha, além do mestre em Psicologia, Thiago Wesley, e o pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital da UFBA, o professor doutor Rodrigo Carreiro.

Citando exemplos e relatando fatos, foram debatidos os lados menos abordados das Fake News, como os riscos e as modificações sociais que envolvem os aspectos psicológicos e legais dessas “desinformações”. “Críticos e estudiosos de vários países já consideram que Fake News não são notícias, são desinformações. Infelizmente, é algo que virou um negócio. Hoje, existem empresas que trabalham na criação e produção delas, e somente o jornalismo tem as ferramentas necessárias para opor isto.”, afirmou Linda Bezerra.

Para entender melhor os direitos e deveres no universo digital das Fake News, o doutor Eurípedes Cunha trouxe uma visão mais social sobre a abordagem: “A verdade é que as pessoas estão ‘vomitando’ seus pensamentos e não tolerando ouvir nada do outro. Se nós somos produtos dos direitos humanos, não importa se sou branco, negro, cego ou vidente, se eu respeito o direito do outro, eu não estou fazendo mais do que a minha obrigação.”.

Na questão do comportamento, o mestre em Psicologia, Thiago Wesley Silva, pontua que, apesar da base do assunto não ser algo novo, o termo “Fake News” traz consigo novos conceitos sociais: “Então, esse fenômeno da difusão intensificada das Fakes News pode ser compreendida, não explicada, da seguinte forma: Na maior parte dos casos, a velocidade da propagação e da reprodução dessas mensagens está mais articulada com uma retroalimentação de uma identidade de grupos, do que com o compromisso com a veracidade das mensagens. Dentro desses grupos nas redes sociais, o fenômeno adjacente é justamente o fato de agora ‘eu poder decidir me filiar àqueles grupos que simplesmente reproduzem as informações que eu já acredito e tenho como certas, só cristalizando aquilo que eu já penso’.”.

Apesar de as questões políticas nos últimos meses terem alertado 90% dos brasileiros para as “Fake News”, elas são utilizadas em temas que vão muito além disso. Mas, para debater essas angulações, já que todas as outras também se vinculam a aspectos políticos, o professor doutor Rodrigo Carreiro, pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital, diz: “Primeira coisa, que eu acho que é um erro comum de todos, é confundir Fakes News com outros fenômenos muito parecidos, como boatos, mentiras, opinião ou narrativas. São coisas que apesar de parecidas, são diferentes. No caso das Fakes News temos como principal característica a rápida viralização e um tom alarmante das coisas, com características jornalísticas, ou seja, em formato de matérias. E, por incrível que pareça, o setor mais atingido com esse fenômeno é a saúde.”.

O objetivo de debater os ricos e as modificações sociais causadas pelas Fake News, e que chegam a envolver aspectos psicológicos e até legais, foi percebido e alcançado na conclusão do evento, com os questionamentos da plateia. Com certeza, uma discussão que iluminou a reflexão sobre o tema. Parabéns ao curso de Jornalismo da FSBA, por incentivar esse tipo de atividade acadêmica tão enriquecedora.

 

Por Alanna Sampaio

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