Dia internacional da Mulher: Qual a representatividade desta data?

Muitas pessoas consideram o dia 08 de Março apenas uma data de homenagens às mulheres, mas, diferentemente de outros dias comemorativos, ela não foi criada pelo comércio, e tem raízes históricas mais profundas e sérias. Oficializado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975, o chamado Dia Internacional da Mulher é comemorado desde o início do século 20, quando diversos protestos de mulheres ecoaram pelos Estados Unidos e pela Europa reivindicando melhores condições de trabalho e igualdade de direitos.

Hoje, a data é cada vez mais lembrada como um dia para reivindicar igualdade de gênero e as conquistas políticas e sociais das mulheres. Apesar de muito avanço ao longo do tempo, elas ainda sofrem muito preconceito, seja no ambiente de trabalho, acadêmico ou familiar. Por isso, precisam continuar lutando: “Esse dia tem uma importância histórica porque levantou um problema que não foi resolvido até hoje. A desigualdade de gênero permanece. As condições de trabalho ainda são piores para as mulheres. Já faz mais de cem anos que isso foi levantado e é bom a gente continuar reclamando, porque os problemas persistem. Historicamente, isso é fundamental.”, pontuou a socióloga Eva Blay, uma das pioneiras nos estudos sobre os direitos das mulheres no país.

O Índice Global de Desigualdade de Gênero, criado pelo Fórum Econômico Mundial, em 2006, atualmente mede a disparidade entre homens e mulheres em 149 países, em um cálculo que considera participação econômica e oportunidades no mercado de trabalho, acesso à educação, saúde e participação política.

Seis dos 24 países latino-americanos e caribenhos, ainda de acordo com o Fórum Econômico Mundial, conseguiram atingir a paridade no atendimento de saúde, e 12 deles, no acesso à educação. O Brasil está nos dois grupos. Mas os problemas comuns a todo o continente são a igualdade de salários, a participação política e econômica das mulheres.

Mercado de Trabalho

Números alarmantes ainda mantêm desleal a luta das mulheres nesse ramo. As estatísticas sobre o mercado de trabalho mostram que as mulheres não usufruem das mesmas condições que os homens em diversos aspectos, como rendimento, formalização e disponibilidade de horas para trabalhar. dados relativos ao quarto trimestre de 2017 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD C) comprovam que ainda há muito a conquistar na direção da igualdade de gênero.

Das 40,2 milhões de trabalhadoras, 24,3% haviam completado o ensino superior, enquanto entre os homens ocupados a proporção era de 14,6%. Apesar disso, em média, as mulheres que trabalham recebem rendimentos 24,4% menores que os dos homens.

A pesquisa mostra que 6,0% dos homens trabalhadores eram empregadores, enquanto a proporção das mulheres ocupadas nessa posição era praticamente a metade: 3,3%. Já o percentual de mulheres na posição de trabalhador familiar auxiliar (3,6%), caracterizada pelo não recebimento de salário, era muito superior ao dos homens (1,5%).

Desigualdade salarial

Mesmo com uma leve queda na desigualdade salarial entre 2012 e 2018, as mulheres ainda ganham, em média, 20,5% menos que os homens no país, de acordo com um estudo especial feito pelo IBGE para o Dia Internacional da Mulher, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
Os dados, relativos ao quarto trimestre de 2018, consideraram apenas pessoas entre 25 e 49 anos, e mostram que a disparidade entre os rendimentos médios mensais de homens (R$ 2.579) e mulheres (R$ 2.050) ainda é de R$ 529. A menor diferença foi de R$ 471,10 em 2016, quando as mulheres ganhavam 19,2% menos.

Violência

A data é percebida por muitos como um momento festivo, no qual se distribuem flores e mensagens que ressaltam a importância da mulher na sociedade. Mas neste 8 de março, nós, mulheres brasileiras, não temos muito a celebrar. Os dados divulgados pelo Monitor da Violência, do Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelam que o Brasil permanece como uma das nações mais violentas do mundo para as mulheres.

As estatísticas levantadas mostram que 4.473 mulheres foram vítimas de homicídio em 2017, um crescimento de 6,5% em relação a 2016, quando 4.201 mulheres foram assassinadas. Isso significa que uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil, taxa de 4,3 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas do sexo feminino. Para que o leitor tenha ideia do que isso representa, se considerarmos o último relatório da Organização Mundial da Saúde, o Brasil ocuparia a 7ª posição entre as nações mais violentas para as mulheres de um total de 83 países.

O levantamento também inclui dados sobre feminicídios e revela que foram registrados 946 casos no país ano passado, aumento de 16,5% em relação a 2016. Neste caso, o aumento é uma notícia positiva, pois indica que os estados estão se empenhando em aprimorar os registros deste crime. Mas é evidente que ainda há subnotificação.
O feminicídio é o assassinato de uma mulher pela condição de ser mulher, motivado geralmente por ódio ou desprezo. A Lei do Feminicídio (13.104 de 2015) foi sancionada há apenas três anos no Brasil, o que serve de explicação para o reduzido registro de casos nesta categoria.

Se considerarmos os últimos dados de mortes por agressão do sistema de saúde verificamos que 50% das vítimas de homicídio do sexo feminino no Brasil são mortas por parentes, dos quais 33% são os maridos ou companheiros. Sob este critério, é de se esperar que ao menos 2.200 mulheres tenham sido vítimas de feminicídios íntimos no ano passado.

Últimas Notícias


2019 © Faculdade Social da Bahia • Todos os direitos reservados